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EDUCANDO PARA A CONSCIENTIZAÇÃO POLÍTICA Gilberto Nascimento | Presidente Estadual do PSC
Quando pensamos em conscientização política, logo pensamos em educação. Um povo educado é consciente de seus direitos e deveres. Essa é a realidade de muitos países desenvolvidos, que primam pela educação de seu povo, pois entendem que esse é o melhor investimento que um governo pode fazer para sua população. Em nosso país, a realidade é bem diferente. Infelizmente, a realidade da educação brasileira colabora para que grande parte de nossa população esteja à parte daquilo que ocorre na esfera política. E, dessa forma, a inconsciência política cresce, proporcionando o espaço que o político mal intencionado usará de forma a manter ainda mais essa situação confortável. Aqui, a consciência política nunca foi muito incentivada. É muito melhor e mais interessante para os grupos dominantes que a grande maioria das pessoas desconheça os seus direitos, e entendam o dever como algo negativo. Essa cultura da inconsciência permite que os políticos mal-intencionados se acomodem e continuem, desmerecidamente, a ocupar cargos políticos.
É também a falta de consciência política que impede uma amplitude do debate político em nosso país. Lamentavelmente, a grande maioria da população prefere a alienação ao conhecimento de seu papel cidadão. A mídia reproduz a ideia de que a política é “chata” e que é bom que nem se discuta. E, assim, vai se criando uma multidão de inconscientes que elegem seus desconhecidos candidatos, sem pensar que a sua escolha irá interferir, e muito, a sua vida e a de toda a sociedade.
Mas o que podemos fazer para que a conscientização política cresça em nosso país? Sem sombra de dúvida, a educação é o caminho para isso. Com a educação formal, modelamos o ser humano para a educação política. Somente com um povo conhecedor de seus direitos e deveres, consciente de seu papel como cidadão, é que poderemos trilhar caminhos para essa conscientização. A democracia, por si só, tem como preceito básico que o povo seja esclarecido, pois a participação democrática se faz por meio da escolha. E o escolher deve ser racional, baseado em conscientização.
E como pensar nisso aplicando ao Brasil? A educação brasileira está indo no contrafluxo da educação mundial, que se desenvolve a cada ano. Em nosso país, a situação da educação só piora com o passar dos anos. Uma pesquisa feita no ano passado no Brasil mostrou que o desempenho de alunos brasileiros com até 15 anos ficou com uma das piores posições. O IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, do Ministério da Educação) divulgou as notas dos alunos do ensino brasileiro: a média nacional dos alunos foi de 4,0 nos anos finais do Ensino Fundamental (1º ao 9º ano/1ª a 8ª série). Parece preocupante, mas é muito mais do que se pensa. A mesma pesquisa mostra que a média dos alunos nas salas iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º Ano / 1ª a 4ª série) é superior – 4,6; quando comparadas às notas dos alunos do Ensino Médio, os dados se mostram mais preocupantes ainda, se é que isto poderia ser possível – os alunos do Ensino Médio têm um desempenho pior aos alunos do Ensino Fundamental (nota: 3,6). Nestes dados, são considerados os índices gerais, ou seja, fazem parte, para desenvolvimento desta média, as escolas públicas, privadas, institutos federais e escolas técnicas estaduais (com isso, os índices têm um ligeiro aumento).
Ainda, segundo o MEC (Ministério da Educação), o número de alunos que não conseguem ler e escrever adequadamente é alto. Em 10 (dez) anos, o número de alunos do Ensino Médio que saem da escola com bom nível de proficiência (bom conhecimento da língua portuguesa) caiu. Os brasileiros com o nível máximo de proficiência caiu de 4,49% (1995) para 1,03% (2005). Essa queda é observada também em outros níveis de proficiência, contudo, o nível regular/ruim subiu: de 10,61% (1995) foi para 17,01% (2005). Em resumo, essa situação é muito grave, pois o que acontece é que está se criando uma geração de brasileiros com domínio fraco de sua própria língua, além de futuros adultos semi-analfabetos ou analfabetos funcionais (que sabem ler e escrever, mas, por não terem domínio pleno da língua, que não conseguem interpretar textos adequadamente.
Um país que possui mais de 20 milhões de analfabetos está distante do sonho de uma conscientização política. Como pensar em conscientizar nosso povo, sendo que apenas 25% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são capazes de ler, entender o que está escrito e escrever corretamente (pesquisa de uma organização não-governamental ligada ao IBOPE) enquanto 8% são analfabetos? Como pensar em conscientização política quando 67% dos brasileiros, embora saibam ler e escrever, não têm como usar esse conhecimento para entender mais do que uma frase ou algumas frases?
A situação é gravíssima. Enquanto não pensarmos em resolver o problema da educação, somente vamos colher os péssimos frutos que sua falta produz: um povo distante da política, alienado e inconsciente de sua cidadania. Por isso, precisamos pensar em investir mais no ser humano e em sua educação. Com as condições básicas, capacitando e dando os instrumentos necessários, podemos sonhar em, um dia, termos nossa população consciente. E, com a consciência política, poderemos sonhar em termos um Brasil muito diferente e mais justo.
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AS IGREJAS EVANGÉLICAS E AS ELEIÇÕES
Gilberto Nascimento | Presidente Estadual do PSC
O crescimento do número de eleitores evangélicos brasileiros é tão surpreendente que até outros países estão noticiando esse fato. A revista “The Economist” afirmou há pouco tempo que os evangélicos “podem causar uma reviravolta nas eleições brasileiras”. O motivo disso é que esse importante percentual da população é fundamental para definir as eleições. Por essa razão, tantos candidatos (evangélicos ou não) tentam se aproximar desse eleitorado, na esperança de conseguirem votos que os ajudem a conquistarem suas cadeiras. Mas errados estão os candidatos que pensam que os evangélicos são uma “fácil massa de manobra”. Felizmente, o perfil do povo evangélico tem mudado e com isso uma maior consciência do papel social e da cidadania tem crescido e feito parte das discussões dentro das igrejas.
Com as eleições deste ano, os evangélicos são novamente tema de discussões e debates, devido à força desse crescente eleitorado. Existem hoje no Brasil cerca de 40 milhões de evangélicos, desses estima-se que de 30 milhões votem nessas eleições, confirmando a tendência das últimas décadas.
Os conceitos, da população evangélica, sobre o que é política mudaram para a população evangélica. Hoje a participação política não é mais encarada como algo errado e que poderia desviar as pessoas da fé em Deus. A política é tida agora com um importante instrumento de mudança e de contestação, capaz de trazer significantes melhorias para todo o povo brasileiro. A política também deve fazer parte do nosso cotidiano, enquanto evangélicos, pois também em outras épocas ela fez parte da vida do povo de Deus, como mostra a Bíblia em várias passagens.
Já faz algum tempo que aquele bordão “política e religião não se misturam”, não faz mais parte do cotidiano de muitas igrejas, que tem entendido a necessidade de se discutir política na igreja. Não exatamente no púlpito, mas nas reuniões familiares e etc. Enfim, trazer à tona o debate na sociedade, situando os seus membros não apenas no contexto religioso, como também no contexto social em que ele está inserido. É evidente que ainda hoje, encontramos algumas denominações tradicionais, fruto provavelmente de uma certa herança puritana, que preferem se dedicar apenas à espiritualidade excluindo de seu cotidiano um projeto de sociedade moldada por valores cristãos. Por mais que o eleitorado evangélico esteja aos poucos mudando sua visão sobre o seu papel enquanto cidadão, ainda encontramos igrejas com um perfil mais tradicional, que procuram conservar realmente um afastamento da política.
Também é necessário desmistificar a idéia de que “irmão vota em irmão”. Pois considerando o fenômeno da mudança do perfil do eleitorado, que também tem crescido consideravelmente em escolarização, conforme apontam pesquisas, é complicado afirmar que os evangélicos votam neles mesmos. Essa afirmação reduz o povo evangélico à fantasiosa “massa de manobra”, que muitos veículos de comunicação teimam em divulgar. Mesmo existindo muitos setores organizados, como os neo-pentecostais que elegem seus próprios candidatos, não é possível generalizar dessa forma esse eleitorado, pois isso seria reduzi-lo a um eleitorado desprovido de qualquer capacidade de escolha. Os candidatos escolhidos por esse eleitorado são preferencialmente evangélicos, compartilhando da mesma fé em Jesus Cristo. E são escolhidos não apenas por isso, mas também por suas qualidades políticas e morais.
A escolha do candidato evangélico pelos evangélicos é justamente por isso. O político evangélico possui dois compromissos, primeiramente com Deus e em segundo lugar com seus eleitores e a população. Por isso, o aumento do número de evangélicos na política reflete também um aumento na qualidade do fazer política.
Mas qual o diferencial dos políticos evangélicos e dos políticos não-evangélicos? Basicamente a diferença entre eles é a fé, que se reflete nas suas atitudes, trabalho e no seu comprometimento moral. A fé em Jesus Cristo e nos seus ensinamentos é que norteia nossa vida. É a base para qualquer trabalho, inclusive o trabalho na política. É claro que o Brasil tem muitos políticos de outras religiões ou até mesmo ateus, compromissados com o povo. Como também já existiram políticos evangélicos que não honraram o nome de Deus e tampouco seus eleitores.
A fé é o que difere o político evangélico e isso se dá por que é a partir da fé que se percebe que posicionamentos morais são fortificados e defendidos. A política, como qualquer outro trabalho inspirados por Deus, é possível ser entendida como um ministério ou como um chamado. Quando um evangélico se lança à política, ele deve estar seguindo um chamado de Deus, se isso acontece facilmente às pessoas perceberão nele alguma diferença que, para nós, é o agir de Deus.
Mesmo com o crescimento do número de eleitores e políticos evangélicos, é necessário cuidado para não transformar a Igreja de Cristo em um partido político. Pois os evangélicos, enquanto Igreja, não tem compromissos com ideologias. Mas, enquanto cidadãos, temos compromisso com as leis de nosso país e como o povo brasileiro temos que exercer nossa cidadania e o momento auge disso é quando votamos e escolhemos nossos governantes. A fé em Jesus Cristo pode fazer a diferença, podemos ser melhores cidadãos, conduzindo de forma coerente às eleições, como também melhores políticos, trabalhando e honrando a Deus e a toda a população. |
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