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A MULHER E A POLÍTICA
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Alzira Soriano
in Folha de SP |
O direito ao voto não foi uma conquista fácil às mulheres. Durante muitos anos, o processo eleitoral era apenas um sonho, sendo concretizado apenas há 79 anos, o sistema eleitoral passa a aceitar o voto feminino. Contudo, este direito ainda não fora conquistado plenamente aqui no Brasil, visto que as mulheres tinham de ser casadas e, ainda, deveriam ser autorizadas por seus maridos a votar. O voto feminino passou a ser, em 1934, sem nenhuma restrição, isto é, a mulher passa a votar com autonomia.
Assim, se engana quem tem o pensamento de que as mulheres iniciaram sua luta somente a partir do Século XX. Suas lutas vêm desde muito cedo, mas um episódio passa a evidenciar essa luta substancialmente: o Dia Internacional da Mulher. A partir deste reconhecimento dado pela ONU (Organização das Nações Unidas) é que a mulher passa a ganhar maior espaço nas sociedades no mundo.
Em países vizinhos, as mulheres alcançaram grandes avanços, entre eles, o direito ao voto muito antes, inclusive, que o Brasil. Na América Latina, o Equador foi quem deu o pontapé inicial na ideia de conceder às mulheres o direito ao voto (1929).
Na Argentina, o grande nome, dada a força e representatividade, Evita Perón traz grandes sucessos às mulheres notoriedade no cenário político. Evita empenhou-se muito para alcançar seus objetivos e, após a posse de seu marido Juan Domingo Perón (1946), ela iniciou sua luta na conquista de direitos. Em julho de 1949, Evita funda o Partido Peronista Feminino, cujo foco estava em adquirir um grande contingente feminino para votar nas eleições, que seriam realizadas dois anos depois. Evita concorreria como vice-presidente na chapa do marido, mas isso não seria fácil: a oposição militar se levanta contra essas ideias, acabando com este sonho. Porém, a pressão popular vence e, pela primeira vez, as mulheres argentinas vão às urnas em novembro de 1951 pela primeira vez. Além desta vitória, Evita consegue mais algumas, mostrando sua força: seu marido é reeleito com apoio maciço das mulheres (com a diferença de 1,8 milhão de votos sobre o segundo colocado) e ajuda a eleger 6 senadoras e 23 deputadas peronistas.
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| Carlota Pereira de Queiroz - eleita Deputada em 1933 |
No Brasil, a educadora Leolinda de Figueiredo Daltro fundou a “Junta Feminina Pró-Hermes da Fonseca” em 1910 com o intuito de auxiliá-lo a vencer a disputa eleitoral, apesar de as mulheres ainda não terem direito ao voto. Mas, apesar da resistência, muitos homens foram a favor de esse direito ser estendido às mulheres, entre eles César Zama, Almeida Nogueira, Lopes Trovão. Entre discussões, o Brasil deixou, por muitos anos, de trazer às mulheres o direito ao voto; mas, em 1932, após muitas lutas, a primeira mulher votou no Brasil, sendo autorizada pelo novo sistema eleitoral brasileiro. Contudo, a primeira mulher a votar no país o fez antes, em 1927, no Nordeste brasileiro. A professora Celina de Magalhães, natural de Mossoró (RN) é a primeira brasileira a fazer o alistamento eleitoral. Isso aconteceu porque, em 1927, no Estado do Rio Grande do Norte, uma legislação local permitira à professora Celina o direito ao voto.
Apesar de tantas lutas durante anos, o direito ao voto tem sido deixado para trás por muita gente. O processo eleitoral é de grande importância para todos os cidadãos, merecendo especial atenção e cuidado na hora da escolha de um candidato. Por isso, os participantes desse processo devem exercer esse direito da melhor maneira, ou seja, com responsabilidade e altruísmo, tornando efetiva a participação de cada cidadão. E, como cidadãs, as mulheres têm diversas responsabilidades neste processo, entre elas, fazer a diferença em nossa sociedade, assim como muitas mulheres fizeram ao longo dos anos. É de suma importância que toda mulher se conscientize de seu papel social, pois, assim, também pode levar para seus lares e ambiente de trabalho a discussão sobre o voto e a política e o que isso representa na vida de todos os brasileiros.
Apesar de um importante personagem no cenário político, há mulheres que querem se distanciar dessa discussão. Isto é um erro, pois a mulher tem a capacidade de influenciar as decisões de seus filhos, amigas e de outras pessoas. Infelizmente, esse distanciamento político gera muitos transtornos a todos os brasileiros, independente de classe social. Com esse distanciamento, o cenário político irradia a alienação. Como consequência, políticos mal-intencionados tripudiam no poder pela falta de maturidade política do brasileiro.
Talvez, você que lê estas linhas, esteja pensando como mudar a realidade política do país. De fato, não é nada fácil, mas as estatísticas são favoráveis às mulheres. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), as mulheres já são a maioria do eleitorado brasileiro. Segundo esses dados, as mulheres representam 51% do eleitorado. Assim, como maioria, as possibilidades de mudar a realidade política do país são mais concretas a cada dia. E a chave para isso deixar o campo das idéias será a não se conformar com o que se tem hoje, buscando a melhoria contínua, de forma que essas mudanças gerem bons frutos a todos os brasileiros, transformando, desta forma, tudo aquilo que estiver errado, incongruente ou que não respeite os direitos fundamentais defendidos pela Constituição, pelos ideais da República e pelos preceitos democráticos.
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